terça-feira, 17 de abril de 2012

Avatar: A Lenda de Korra


Avatar: The Last Airbender é o mais célebre e bem sucedido exemplar de anime ocidental, que parece um anime, ao mesmo tempo que não é e está acima dessa comparação.
Criada e escrita em parceria por Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko, a série original estreou em 2005 no canal Nickelodeon como uma produção bancada pela casa. Vale comentar, a Nickelodeon se tornou e tomou o lugar do Cartoon Network, herdeira da Hanna Barbera, como uma casa de talentos e novas animações. O canal deu liberdade criativa para os dois autores fazerem a série que queriam, apostaram nela, apenas aparentemente com o pedido de fazer algo dentro da faixa etária do canal que é de 6 à 14 anos.

DiMartino e Konietzko conseguiram criar uma verdadeira joia animada, uma divertida e encantadora aventura em uma China mitológica.


No total a série teve 3 temporadas e 61 episódios terminando em 2008.

Devo dizer, a série não me conquistou de imediato. Ela só me pegou em 2007, antes disso eu apenas "gostei do que vi, mas nem tanto" da primeira temporada que tem mesmo um ar mais infantil, apesar de a série manter as mesmas características do início ao fim. Na segunda temporada ela encontrou o tom ideal, um pouco mais sério mantendo o bom humor e aí sim eu me tornei fã.
É aquela série descompromissada, que se preocupa em te divertir sem fazer feio, só que Avatar é um pouco mais que isso, é uma boa história com bons personagens.

Para quem não conhece, The Last Airbender se passa em um mundo culturalmente semelhante a China Ming/Qing, de fantasia.


Há uma certa magia nesse mundo chamada "Dobra". Algumas pessoas tem a habilidade de controlar os elementos, cada pessoa um só, e geralmente o elemento que eles conseguem dobrar varia de acordo com a região do mundo em que vivem. Assim sendo há 4 reinos e povos, o da Água, Terra, Fogo e Ar.
No meio disso há um equilíbrio chamado de O Avatar. Uma pessoa que nasce a cada geração, alternando entre os povos, com a capacidade de controlar os 4 elementos de forma além de qualquer outro. Esse Avatar tem o papel de líder espiritual e mediador entre os povos.

A Lenda de Aang começa com o grande ataque da Nação do Fogo contra as Tribos do Ar para matar o novo Avatar, Aang, enquanto ele ainda é criança e fraco para poder lançar uma campanha de dominação mundial. O ataque é parcialmente bem sucedido, com Aang conseguindo escapar para o sul, mas terminando congelado em um estado de hibernação no mar. 100 anos depois ele é encontrado por dois irmãos da Tribo da Água para encontrar o mundo ainda em guerra oprimido pela ditadura da nação do fogo.
A missão do Aang é masterizar sua habilidade com os ventos, e encontrar mestres de dobra dos outros três elementos que possam ensinar a ele.


A Lenda de Aang ao ser dividido em três temporadas, chamadas livros, se concentra cada uma em um dos reinos.

A primeira é a da Água, e a mais inocente. Eu tive problemas com essa temporada justamente pela inocência do Aang e a turminha dele, por mais que todo o resto indicasse que a série era maior que aquilo. Entretanto essa inocência inicial é natural, no final as coisas começam a ficar mais sérias e a partir da segunda temporada dentro do Reino da Terra, com a introdução de novos personagens e dos objetivos finais de cada um estabelecidos a série brilha. Não atoa ganhou vários prêmios de qualidade e execução.



Eu recomendo muito a todos assistirem a série original, mesmo que não venham a assistir A Lenda de Korra e também não é necessário assistir o original se você for assistir a nova série, porque colocando de uma forma simples é uma boa animação. Para quem só assiste anime, vindo do japão, será uma boa experiência variar um pouco e assistir algo bem planejado e principalmente animado.
Para quem gosta de cenas de ação é um espetáculo. Mesmo com poderes especiais as lutas de Avatar são puro Kung-fu, lindas, animadas quadro à quadro, sem apelar para câmera lenta desnecessariamente e efeitos de linhas de ação dramáticas. São muito empolgantes e variadas, porque cada nação do mundo de avatar reflete uma escola diferente de Kung-fu.

Os movimentos dos nômades do ar são baseados em Baguazhang, as tribos esquimós da água lutam Tai Chi Chuan, o reino da terra Hung Gar, e a nação do fogo Shaolin Clássico.
Tudo isso não é enfeite na série, é pesquisa da produção para fazer algo de qualidade.
Cada cultura tem seu estilo acima bem evidenciado e variado. Dá gosto ver as cenas de ação entre as diferentes escolas de luta.

Pense nos melhores momentos do Spike Spiegel de CowBe, em todo episódio.

Enfim, eu não comecei esse texto para falar de A Lenda de Aang, precisaria assistir novamente para poder comentar melhor, então vou parar por aqui (até apaguei o que tinha escrito) e deixar para um outra oportunidade para escrever sobre a série em mais detalhes.

O motivo de eu ter vindo aqui é para falar da nova série se passando no universo de Avatar, A Lenda de Korra. É uma continuação direta, se passando 70 após o final da série anterior.
Há um novo Avatar da Tribo da Água, que vai ter que aprender a dominar os 4 elementos, aprender sobre o mundo e encontrar seu lugar nele e fazer o que tiver que fazer.


Inicialmente a série está marcada para estrear dia 14 de Abril, só que foi vazado o foi primeiro episódio e como parte da campanha de marketing neste sábado 24 de Março foi vazado "oficialmente" o segundo episódio, e voz digo, apesar de alguns de vocês já estarem cansados de ler meus surtos no tuíter: é a melhor estreia do ano, de longe.
Melhor animação para a TV em todas as categorias, história, roteiro, direção, personagens, arte e som, até provarem o contrário.

Ao contrário de alguns Ozmas por aí, A Lenda de Korra estreou provando que é possível fazer um bom episódio inicial apresentando todo um mundo e personagens sem abrir mão da sua dinâmica divertida.

A série começa com a Lótus Branca no Polo Sul procurando pelo novo Avatar dentre as tribos da água, até que depois de vários alarmes falsos chega na casa da Korra, onde encontram ela ainda criancinha já dobrando água, terra e fogo. A partir daí é uma correria, a infância dela não é mostrada, afinal não é preciso correr atrás de nenhum mestre para ensinar ela e a série começa então quando ela vai inciar seu treinamento de Dobra de Ar com o filho do Aang, Tenzin.
Tenzin é obrigado a adiar sua mudança para o Polo Sul para treinar a Korra, e ela rebelde vai escondida atrás dele até a Cidade República.


O mundo de Avatar mudou muito, muito mesmo. Em apenas 70 anos saíram de uma China pré-revolução industrial para o Estados Unidos pré-depressão. Quando eu soube dessa mudança eu fiquei decepcionado, pensei que tinha perdido o chame, mas estava enganado felizmente.

De fato o que temos em Cidade República é Manhattan dos anos 1920, há até uma homenagem no terceiro episódio da Korra usando o chapéu da Fay Wray do filme King Kong, mas aquela China clássica ainda está lá, está apenas soterrada pela modernidade e é sobre isso que trata a nova série.

Após o fim da Guerra dos Cem Anos, os personagens da série anterior tiveram que lidar com o problema das colônias da Nação do Fogo em território do Reino da Terra, e inicialmente pensavam em simplesmente remover os colonos de volta para a terra natal. Obviamente não é tão simples assim e muita coisa deu errada. Sem entrar em spoilers, a solução do Aang foi fundar uma nova cidade que não seria território de nenhum povo em específico, seria a união de todos os povos em uma mesma terra, a Cidade República.
Deu certo, só que com o tempo naturalmente surgem novos problemas.

Pensem, se o Avatar existe para servir de mediador entre os 4 povos, cada um no seu canto, qual o papel dele se os 4 povos estiverem homogeneizados em um mesmo local, em uma cultura unificada, e sobre lideranças que não necessariamente tem o dom de dobra?

E esses não dobradores, fruto dessa nova ordem social, eles irão tolerar qualquer opressão de dobradores apenas por serem dobradores?

É por conflitos causados por essa discussão que o Tenzin adia sua mudança para o sul para treinar a Korra, e inicialmente não queria que ela fosse para lá.

O primeiro episódio fez um trabalho fantástico em apresentar metade do elenco relevante para a série, seu mundo, seu contexto, e seus temas. Todo esse tempo em que a série ficou sendo trabalhada aparentemente não foi atoa, é nítido como todos os personagens são muito bem definidos e decididos. É um início extramente promissor e cativante. Até o vilão da série, o Amon, quando ele aparece nos últimos segundos do primeiro episódio nada é preciso ser dito para sabermos exatamente o que ele quer. Podem faltar alguns detalhes mas automaticamente concluímos o que ele representa sem que nem mesmo fosse necessário dizer que o personagem existia.


Eu estou realmente contente com esse reinício, essa renovação foi a melhor coisa que fizeram pela série, ela tem um universo tão rico que permite extrair histórias variadas assim sem repetir a fórmula do anterior.
Como eu disse no início, até rio da minha desconfiança antes de assistir por terem mudado a cultura.
Não, ela não mudou, apenas evoluiu. Tudo é feito com tanto carinho que não tem como não gostar, o original já tinha uma excelente trilha sonora e nisso Korra também não decepcionou. O mundo de Avatar descobriu o Jazz!

E agora algo relevante.

A série estreia mês que vem, mas até pouquíssimo tempo a data era incerta, havia até mesmo a possibilidade de ela estrear ano que vem. Parte do motivo? Fazer bem feito.

Eu não consigo nem imaginar como ficaria o visual e animação de Korra se estreasse somente daqui a mais alguns meses, por que a qualidade que a série mostrou nesses dois episódios é inacreditável, é um nível de animação altíssimo, a par com os melhores animes da temporada ou até superior por não compartilhar de alguns vícios de animação.

O traço dos personagens é consistente, a animação deles dá atenção para cada detalha da movimentação corporal, quando eles lutam eles lutam de verdade, é como se fosse um live com mestres de kung-fu e o cenário ao redor faz diferença. Não é aquela enganação que é um Guilty Crown por exemplo que tem plasticidade mas o cenário é totalmente sem sentido. E tem CG, bastante, bem feito, bem integrado, usado com inteligência. Pelo que eu vi aqui eu ouso dizer que está até melhor que o filme de Berserk. Você pode até dizer que um detalhe aqui e outro ali é inferior, só que o resultado final é mais agradável.


Sério, assistir anime pra quê?
Vocês que adoram assistir shounen, dizem que anime é só fantasia e tem que somente divertir, aproveitem que Korra também é muito engraçado e assistam a série, não vão se arrepender.

Outro dia eu disse que desistia da experiência de fazer um "Episódio a Episódio" aqui, depois da tragédia de Another, mas eu disse que podia mudar de idia e querem saber, já mudei. Vou comentar sobre Korra por aqui até convencer todos vocês a assistirem a série, traírem o movimento e abandonarem essa vida de assistir anime.
Confira o Trailer mais novo de Avatar: A Lenda de Korra:

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